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Music History

Como a mente reage às músicas de Natal?

20 de dezembro de 2021

5 min read

Sebastian Murgul

Sebastian Murgul

Como a mente reage às músicas de Natal?

Sumário

Alegria ao mundo, o Senhor chegou
Que a Terra receba seu Rei
Que cada coração lhe prepare um lugar
E o Céu e a natureza cantem…

Com o Natal batendo à porta, faltam apenas alguns dias para celebrarmos o Messias que salvou a humanidade ao tomar sobre si todos os seus pecados; por meio de sua crucificação e posterior ressurreição, ele conduziu o ser humano ao caminho da salvação e da vida eterna. Além das tradições e dos rituais ancestrais, outro elemento que realmente resistiu ao tempo é a música natalina: assim que as letras chegam aos seus ouvidos, você é transportado para um universo de alegria infinita e nostalgia, onde o mundo já não faz parte dessa corrida sem fim e a paz reina por toda parte. A música natalina é um daqueles elementos que despertam o espírito das festas e lembram que chegou a hora de esquecer todas as provações inevitáveis da vida e participar ativamente desse festival de alegria.

No entanto, segundo a ciência, as músicas de Natal podem causar estragos e prejudicar sua saúde física e mental durante as festas de fim de ano, especialmente no caso de pessoas expostas a elas constantemente por várias semanas. Psicólogos também concordam com essa afirmação e a sustentam com diferentes explicações neuropsicológicas, que relacionam as reações imediatas da mente e do corpo ao ouvir músicas natalinas a sólidos fundamentos científicos.

Por que as músicas de Natal são importantes?

Antigamente, quando o mundo ainda não contava com o privilégio da imprensa e de recursos semelhantes, as pessoas dependiam apenas de versos transmitidos oralmente para se comunicar. Tudo o que aprendiam e lhes era ensinado passava às gerações seguintes pela palavra falada — e os cânticos de Natal não eram exceção. A Igreja estava no centro dessa tradição e difundia a ideia de que repetir essas canções significava pensar no Todo-Poderoso e demonstrar gratidão a Ele. Do ponto de vista científico, a música, em qualquer circunstância, busca despertar no coração humano certas emoções com as quais nos identificamos, embora sejam difíceis de explicar. A música natalina, em particular, além de louvar o Senhor e contar histórias sobre a glória de Cristo, costuma trazer sons de sinos, coros festivos e vários outros elementos típicos da ocasião que, juntos, lhe conferem uma identidade própria. Portanto, como todas essas canções seguem um padrão semelhante, com pouquíssimo espaço para exceções, às vezes podem sobrecarregar a mente e prejudicar sua capacidade natural de pensar, se concentrar e ser produtiva.

Esse cenário pode ser comparado à sensação de “felicidade em excesso”: todos os seus sentidos começam a ficar entorpecidos, e a única emoção que resta é uma alegria persistente, sutil demais para causar qualquer impacto positivo na mente ou no corpo. Agora, imagine essa mesma situação se prolongando por várias semanas. Isso torna tudo ainda mais difícil para quem trabalha em um ambiente onde músicas de Natal tocam o dia inteiro, em volume alto, sem nenhuma possibilidade de escapar.

Logo depois de ouvirmos músicas de Natal…

Como acontece com a maioria das músicas, nossa reação às canções natalinas depende, em parte, das associações que fazemos e, em parte, do ambiente em que as ouvimos. Para quase todos nós, a ligação entre as músicas de Natal e nossas emoções começa na infância, quando a vida era muito mais simples e nossas únicas preocupações eram decorar a árvore de Natal com a família, enfeitar a casa com luzes e preparar comidas deliciosas para, depois, abrir os presentes com entusiasmo. Assim que essas lembranças são ativadas em nossa mente, o corpo começa a liberar uma série de hormônios, entre eles a dopamina, que também é um neurotransmissor — em termos simples, um catalisador que nos ajuda a nos sentir bem. No entanto, essa história também tem um lado negativo: sentimentos desagradáveis começam a surgir, principalmente porque nossa mente e nosso corpo sabem que não é possível reviver o passado. Além disso, essas músicas podem trazer de volta lembranças dolorosas da infância que gostaríamos que nunca tivessem acontecido.

Nem todos nós tivemos uma infância agradável. Alguns tiveram de vivenciar a escuridão desde muito cedo, enquanto outros enfrentaram abusos constantes. Segundo a Dra. Rhonda Freeman, a música exerce um impacto indispensável sobre a amígdala — a principal estrutura que desencadeia diversas reações e emoções, de forma equilibrada ou não, dependendo da situação. Por isso, ao ouvir músicas de Natal pela primeira vez no ano, seu corpo pode começar a enviar sinais que fazem parte, mais precisamente, do “sistema de recompensa” e estão fortemente ligados a associações. Porém, dependendo da intensidade dessas associações, a mente pode tentar se adaptar. Ainda assim, quando o mesmo repertório se repete por dias, isso pode se tornar mental e fisicamente excruciante. Algumas pessoas — sobretudo as que têm associações negativas — preferem se trancar em casa durante a maior parte do mês das festas, enquanto outras simplesmente aceitam a situação.

O que importa

Se acreditarmos nas afirmações do Dr. Freeman, fica claro que a reação do corpo e da mente depende das experiências vividas na infância. Embora alguns de nós tenham a ideia preconcebida de que os reveses enfrentados na vida adulta causam um impacto mais profundo e são extremamente difíceis de superar, é a infância que realmente importa. Situações que provocaram reações positivas ou negativas permanecem conosco pelo resto da vida e, assim que percebemos algo semelhante ou identificamos um elemento em comum, como as músicas de Natal, nosso instinto imediato é voltar no tempo, buscar referências nessas lembranças e relacioná-las ao presente. Elas se tornam, essencialmente, uma parte inevitável de nossas memórias porque, durante a infância, o córtex pré-frontal ainda está em desenvolvimento, e tendemos a recorrer às emoções e à memória como uma forma de escape mais do que a qualquer outra coisa.


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