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Guitar

Manutenção de violão – Parte 1 (a versão para fazer em casa)

19 de janeiro de 2023

Sebastian Murgul

Sebastian Murgul

Manutenção de violão – Parte 1 (a versão para fazer em casa)

Sumário

Amamos nossas guitarras e esperamos aproveitá-las por muitos anos. Isso também significa cuidar bem dos nossos instrumentos e manter a manutenção básica em dia. Felizmente, há algumas coisas simples que você pode fazer em casa para manter sua guitarra em ótimo estado por muitos e muitos anos. Confira algumas dicas e cuidados regulares que exigem pouca ou nenhuma ferramenta especial.

(Há algumas coisas para as quais você precisará da ajuda de um luthier, mas abordaremos isso em outro artigo).

Mantenha seu violão em um bom lugar

Os violões são feitos de madeira, que pode ser afetada pelo ambiente onde está, às vezes de forma severa. Um dos melhores cuidados que você pode ter é simplesmente manter seu violão no lugar certo da casa.

O principal é evitar locais onde o violão fique sujeito a mudanças bruscas de temperatura. Portanto, não o deixe perto de aquecedores, dutos de calefação, aparelhos de ar-condicionado ou qualquer coisa que esquente ou esfrie em intervalos regulares. Se você o deixar perto de uma janela, também corre o risco de o sol afetar o acabamento — assim como acontece com violões que ficam expostos por muito tempo na vitrine de uma loja e acabam desbotando. Evite também temperaturas extremas sempre que possível, como deixar o violão no porta-malas de um carro durante horas no inverno.

Se por acaso você encontrar seu instrumento em um local assim, será preciso deixá-lo se readaptar antes de usá-lo. Mantenha o violão dentro do estojo, em um ambiente com temperatura normal, pelo mesmo período em que ele ficou exposto a temperaturas extremas (por exemplo, se ficou no porta-malas de um carro a -20 graus Celsius por cinco horas, deixe-o no estojo, em um ambiente fechado, por cinco horas). NÃO abra o estojo, pois a entrada repentina de ar pode fazer a madeira expandir ou contrair, causando rachaduras no acabamento e possivelmente danificando ou descolando travessas, cavaletes etc.

Umidade

Os violões ficam em melhores condições quando mantidos entre 45-55% de umidade relativa. A exposição prolongada à umidade excessiva ou insuficiente pode causar danos. A baixa umidade pode ressecar e rachar a madeira ou comprometer as juntas coladas. O excesso de umidade é igualmente prejudicial, pois faz a madeira inchar. Isso não causa rachaduras no instrumento, mas pode provocar deformações que soltam as travessas internas e também afetam as juntas coladas.

Felizmente, existem vários produtos desenvolvidos para manter seu violão na umidade ideal enquanto está no estojo, como o sistema Humidipak da D’Addario.

Isso, junto com manter seu violão em condições ideais de temperatura, é uma das melhores formas de conservá-lo em bom estado.

Alterando cordas

Uma das maneiras mais fáceis e eficazes de manter o melhor som do seu violão é trocar as cordas regularmente. Cordas novas têm um brilho e uma vivacidade que fazem o violão cantar. No entanto, essas características tendem a desaparecer com o tempo, à medida que as cordas envelhecem e acumulam sujeira. Cordas velhas (ou sem vida) também perdem bastante estabilidade de afinação quando ultrapassam sua vida útil.

Quanto tempo duram as cordas? Bem, isso depende de quanto você toca e da química do seu corpo. Se você toca muito, as cordas se desgastam mais rápido. Quanto à química, se suas mãos suam muito, as cordas ficam sujas (e podem até corroer) com o tempo. Para evitar isso, você pode lavar as mãos antes de tocar ou usar cordas revestidas (como as cordas Elixr).

Mantendo o braço e os trastes limpos

Ao trocar as cordas, aproveite para limpar e hidratar os trastes e a escala.

Os trastes podem acumular bastante sujeira e resíduos durante o uso. Felizmente, a limpeza é fácil: basta usar um pano úmido para remover a sujeira. Se ela estiver muito impregnada, você pode usar uma lã de aço bem fina (#0000) para esfregar a escala; apenas certifique-se de esfregar paralelamente aos trastes.

Você também pode aproveitar para aplicar óleo na escala uma ou duas vezes por ano, mantendo a madeira hidratada e com ótima aparência. Você pode comprar óleos específicos para isso em uma loja de instrumentos ou simplesmente usar óleo mineral comum de farmácia. Basta aplicar uma pequena quantidade em um pano limpo, esfregar na madeira e deixar secar (mas talvez seja necessário remover o excesso caso o óleo não seja totalmente absorvido).

Mantendo tudo no ritmo.

Guitarras vibram. Quando tocamos, adoramos o som e a sensação da madeira vibrando junto ao corpo. Mas isso também significa que você precisa prestar mais atenção a peças que podem tremer, chacoalhar e acabar se soltando por causa dessas vibrações. Às vezes, as coisas simplesmente começam a ficar frouxas.

O pino da correia pode dar bastante trabalho, pois sustenta o peso do instrumento e ainda precisa suportar uma correia que se movimenta muito. Verifique o pino de vez em quando para garantir que continue bem firme; a última coisa que você quer é que a guitarra se solte durante um show. Se o pino estiver frouxo, às vezes basta apertá-lo com uma chave de fenda. Mas tome cuidado para não apertar demais, pois isso pode rachar a madeira ou espanar o furo.

As tarraxas são outra parte que pode se soltar e vibrar de vez em quando. Se for a tampa da engrenagem na parte de trás da mão do instrumento, às vezes basta apertar o parafuso com uma chave de fenda. No entanto, tenha o mesmo cuidado que teria com o pino. Outra peça que pode se soltar são as porcas que mantêm as tarraxas presas à mão do instrumento. Se isso acontecer, o melhor é usar uma chave pequena para reapertá-las.

Se você acabar espanando o furo de um pino ou parafuso, pode tentar o método do palito de dente para recuperá-lo. Para isso, você vai precisar de palitos de dente e cola. Remova o parafuso, preencha o furo com cola, encaixe um ou dois palitos e deixe secar. Depois que a cola secar, corte com cuidado o excesso de madeira dos palitos, deixando-os nivelados com a superfície. Assim, o parafuso terá mais madeira para se fixar, garantindo um encaixe firme.

Mantendo o braço reto

É muito provável que sua guitarra tenha um tensor para ajudar a manter o braço reto. Ele faz isso aplicando uma tensão contrária à tração das cordas, forçando o braço para trás. Às vezes, dependendo das condições, da umidade, do tempo etc., o braço pode se curvar demais para trás ou para a frente. Se ficar muito para trás, as cordas encostarão nos trastes, causando trastejamento ao tocar. Se ficar muito para a frente, a ação das cordas ficará mais alta que o normal.

Depois de verificar o alinhamento do braço (olhando ao longo da borda da escala para ver se ele está reto ou curvado), determine se é preciso apertar o tensor (aumentando a tensão) ou afrouxá-lo (reduzindo a tensão). O ajuste segue a regra “para a esquerda, afrouxa; para a direita, aperta”, mas vá com calma. O ideal é girar um quarto de volta por vez, deixando o braço se ajustar e relaxar por alguns minutos entre cada giro. Durante o processo, verifique constantemente o alinhamento para acompanhar como o braço está reagindo. Avance aos poucos até que ele fique como você deseja.

(Só lembre: não force o tensor além do limite! Você não vai querer pagar o conserto de um tensor quebrado!)

Na parte 2, veremos alguns cuidados avançados para os quais talvez seja necessário consultar um luthier. Até lá, continue tocando!


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